O que foi bom, na mesmice? “Decamerão”, “Som e Fúria”, “Aline”, “Tudo que É Sólido…” e o 2º “Filhos do Carnaval”
Ou melhor aconteceu mais do mesmo. Por mais esforço retrospectivo que se faça, 2009 foi um ano com pouca novidade na TV.
Que ver? Começou com mais um “Big Brother” e uma série de muitos capítulos, com produção caprichada. Teve novela da Glória Perez sobre uma cultura “exótica” (tratada, inclusive, com o máximo de exotismo possível). Teve uma novela das sete, “Caras e Bocas”, com índices animadores de audiência. O “Fantástico” sambou no ibope e anunciou mudanças. Manoel Carlos começou uma novela passada no Leblon, com uma personagem chamada Helena que sofre horrivelmente e apanha, vez por outra.
A Record desistiu dos mutantes, finalmente, mas engatou uma novela média na outra. Explorou o filão da violência em uma série, “A Lei e o Crime”, e em uma novela, “Poder Paralelo”, mas não deu o salto criativo necessário. Inventou um reality show que parece uma paródia do “BBB”, com uma curiosa inversão: em vez dos anônimos querendo ser famosos, emprega semifamosos tentando não sucumbir ao anonimato. Serviu para demonstrar que há muita gente disposta a qualquer coisa para ganhar dinheiro sem esforço. Perdeu Roberto Justus para o SBT, mas ganhou o Gugu.
A senhora Silvio Santos atacou de dramaturga, mas nem com a ajuda quase que psicografada de Janete Clair conseguiu fazer uma novela que não tivesse a mesma cara das novelas latinas que o marido, Silvio, exibia. Silvio assinou cheques gordos para disputar a audiência com a Record e continuou no seu projeto de criar uma Shirley Temple brasileira. Quase foi por água abaixo quando o patrão extrapolou, mas, como num conto de fadas, o sapo tornou a virar príncipe.
Correndo por fora, o “Pânico na TV” foi desaforado, desabusado, desbocado, impertinente, inconveniente -e, de vez em quando, engraçado. O “CQC” foi desaforado, desabusado, desbocado, impertinente, inconveniente -e, com mais regularidade, engraçado. Os jovens comediantes da MTV, particularmente Marcelo Adnet e Dani Calabresa, mais ou menos na mesma linha de humor, deram certo fôlego à já decana emissora jovem.
O que foi bom, na mesmice? “Decamerão”, “Som e Fúria” e “Aline”. “Tudo que É Sólido Pode Derreter”. A segunda e aguardada temporada de “Filhos do Carnaval”. Em TV aberta ou fechada, uma teledramaturgia nova, que restabeleceu uma conversa mais intensa e mais aberta com o cinema, o teatro, a literatura e os quadrinhos.

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