domingo, fevereiro 07, 2010

O Último anime da Manchete


Nada de guerreiros de armadura, ou moleques revoltados que se amarram em porrada… O último anime a ser lançado na saudosa Tv Manchete foi uma série que “em teoria” deveria ser um grande sucesso no Brasil. Oliver Tsubasa e seu time de futebol, passaram na pior das piores fases da emissora ao lado de Yu Yu Hakusho e reprises de outros animes, e acabou virando motivo de “piada” pros otakus brasileiros, graças aquele futebol surreal retratado nas aventuras do aspirante a Pelé. Mas se você souber apreciar as qualidades de um bom anime, você com certeza deve ter sido um daqueles que assistiam a série “escondido” feito eu e que hoje não tem vergonha de falar que acham o anime tão manero quanto esses chatomons que entopem a tv.

A origem de Tsubasa data do começo da década de 80, quando o jovem Yoichi Takahashi, que sempre foi fã de esportes – sobretudo o futebol – começou a publicar seu mangá nas páginas da Shonen Jump. O sucesso do mangá começou em Hong Kong e a Toei Company começou a produção de uma série animada que durou 128 episódios de 1983 até 1988. Essa primeira série de mangá entitulada simplesmente de Captain Tsubasa rendeu impressionantes 37 volumes encadernados e chegou a dividir páginas na Jump ao lado de “futuros sucessos” como Dragon Ball e Saint Seiya.

Essa “primeira” série de anime/mangá narrou a trajetória de Oliver  Tsubasa desde sua infância no time do infantil do Nankatsu até a final do campeonato regional, com o Nankatsu enfrentando o time do Kojiro Hyuuga que nessa 1ª versão se chamava Toho. Posteriormente, foi lançada a série SHIN CAPTAIN TSUBASA que mostrou os jogos da equipe Sub-16 do Japão, na qual os melhores jogadores apontados na 1ª série são escalados para seleção. Continuação direta da série original, Shin Captain Tsubasa é uma coleção de OVA’s e também é inédita no Brasil. Foram lançados nada mais nada menos que 13 Ova’s e 2 longa-metragens.

Depois de tentativas frustradas de emplacar novos título com outros esportes  e de fazer uma espécie de Spin-off de Tsubasa, publicando 2 volumes de uma história solo de Tarô Misaki , Takahashi voltou a desenhar as aventuras de Oliver em 1993. O novo título se chamou Captain Tsubasa World Youth.
O público que cresceu acompanhando a primeira série, delirou e acompanhou até o fim ( em 1997, com 18 volumes ) a publicação que narrou a saga de Oliver e seus amigos em campo até uma fictícia final da seleção japonesa contra o Brasil na copa do mundo de 1994. Hã… Adivinha quem ganhou? Nesse mangá, surge o personagem Shingo Aoi, e a 2ª parte de Captain Tsubasa J é baseada nesse mangá.

Oportunista como só ela, a Toei resolveu fazer um remake da 1ª série de Tsubasa e colocou no ar em 1994, Captain Tsubasa J. Esse J vêm de J-League, uma liga japa de futebol que foi fundada em 1992, com grande contribuição do galinho brazuca Zico. E é essa série que passou na Manchete com o nome troncho de Super Campeões .
 
Se você não lembra, em 94 o Japão foi classificado pra Copa do Mundo e o país estava muito entusiamado com isso. Por essa razão, Tsubasa foi posto na Tv outra vez, mas como o Japão voltou pra casa bem cedo dos EUA, a série começou a despencar em popularidade e acabou sendo cancelada com 46 episódios.
Bola rolando!
A história dos primeiros 33 episódios são uma espécie de versão “ultra-mega-compactada” da primeira série de 83. Vemos Oliver conhecendo o ex-craque brasileiro Roberto Maravilha ( ecow! É Roberto Hongo no original ) e entrando pro time infantil perna-de-pau da escola. A partir de lá ele faz uma gama de amigos enormes como o goleiro Benji ( não é um cachorro… Eo nome de verdade é Guenzo ) o bobão Ishizake, o outro craque Carlos ( Tarô ) Miyzaki e a torcedora apaixonada Néia ( Sanae ).

Entrando pro time do Nankatsu, ele e seus amigos enfrentam batalhas campais que não ficam nada à dever pras lutas dos Budokais de Dragon Ball ou a Guerra Galáctica dos Cavaleiro dos Zodíacos . A luta, ops o JOGO mais foda e que marca o final de uma primeira etapa na série, é entre os times do Meiwa e Nankatsu. No lado “do mal” tinhamos um goleiro que lutava karatê e o Tigre Kojiro . Depois de uma partida de 7 episódios vemos Oliver conquistando a primeira etapa de seu grande sonho: jogar no Brasil.
Passado um “tempo” , somos apresentados à um promisso moleque chamado Shingo Aoi. Ele teve um “contato imediato” com Oliver e desde então passou a querer se tornar um craque da bola. Depois de um jogo no Maracanã contra um time transgênico do Flamengo com Oliver lutando, ops, JOGANDO com a camisa do São Paulo; começa a fase que não tem conclusão com Oliver & cia jogando pela seleção japonesa rumo a copa de 94 nos EUA…

Podemos dizer que Captain Tsubasa é um dos animes mais azarados a passar no Brasil na década de 90. Pra começar a Suntoy se espelhou no sucesso que a série estava fazendo em países como México e Itália, acreditando que no “País do Futebol” a série fosse virar um novo fenômeno como Cavaleiros . Ela adquiriu a série J sem ‘reparar’ que o anime não tinha fim e como estávamos na época da Copa da França de 98, todos os diálogos foram adaptados pra dar impressão que o anime tivesse rolando em função desse campeonato.
Pra piorar, a dubladora Gota Mágica não estava muito bem e a dublagem foi completamente desleixada, com personagens mexendo a boca sem voz e um dublador sendo escalado pra fazer 2 ou 3 personagens – muitas vezes na mesma cena! Pior que isso, só o narrador da partida gritando “torcida brasileira” numa partida de futebol japa! Por “sorte” algumas vozes se encaixaram muito bem com alguns personagens não fazendo do anime uma tortura de se ouvir como é Beyblade.

Matando de vez qualquer possibilidade de sucesso, a Manchete estava dando seus últimos “suspiros” antes de virar Rede Tv!, e trocava quase toda semana a hora do anime e o usava como “tapa-cratera” da programação dela. Produtos? Um Cd… Tremendamente medonho com as músicas mais idiotas da via-láctea que poderiam ter feito prum anime no Brasil. Isso sem contar que todo mundo falava mal do anime.

Se bem que é realmente difícil não rir ou soltar um comentário de certas situações como: O eclipse que a bola fazia nas bicicletas do Oliver, o campo parecer uma ladeira sem fim pros jogadores chegarem até a boca do gol, o inexpressivo juiz – que sempre era o mesmo :P – que dava vontade de meter a porrada, o tempo irreal de jogo onde dava pra se fazer um filho e ver ele nascer até o fim de uma partida, uns personagens esquisitos como o menino que sofria do coração ou uns micos de circo com uns dentões de fazer a inveja à Mônica, ou ainda uns times de países tão insignificantes como um tal de Uzbequistão … “Nossa, então porquê você diz que gosta do anime Larky?”

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